Estrutura física para instalação das cooperativas, fardamento, remuneração e EPIs para catadores fornecidos pela Ambev estão transformando a experiência de reciclagem durante a festa
As ruas dos circuitos estão mais limpas nesta edição do Carnaval em Salvador. É isso que garantem os profissionais envolvidos na ação de reciclagem dos materiais descartados pelos mais de 6,5 milhões de foliões que já circularam na festa até esta segunda-feira, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA). A iniciativa é resultado da parceria entre Ambev - dona da Skol, patrocinadora oficial da festa há quatro anos, Prefeitura de Salvador, Governo do Estado, Agência MAP Brasil, rede de cooperativas e cooperativas independentes.
As oito centrais de coleta estão instaladas pelos principais circuitos da capital baiana durante os seis dias de Carnaval, envolvendo mais de 1.400 pessoas, entre cooperados e catadores de material reciclável, que receberam fardamento e equipamentos de proteção individual para realizarem a coleta. A estrutura das centrais conta com salas climatizadas, área de triagem, balanças para pesagem, local para armazenamento, ponto para hidratação e banheiro. Além da reciclagem de metais, conhecida por compensar mais em relação a outros resíduos, o plástico é a grande novidade da ação.
Assim como o alumínio, o plástico descartado na avenida em grande quantidade está rendendo bonificações para incentivar os catadores, além do valor recebido por quilograma do material. A ação está de acordo com o compromisso da Ambev em acabar com a poluição plástica de suas embalagens até 2025. "É uma experiência nova trabalhar com plástico e todo mundo está gostando. Para nós que trabalhamos com reciclagem, não era um material interessante e lucrativo. E está sendo retirado das ruas por conta desta ação”, comentou Elias Bezerra Júnior, integrante da cooperativa Bariri, que faz parte da Coop Rede, rede de cooperativas instalada na Central de Coleta na Barra.
Carlos Pereira, 37, é pedreiro desempregado e foi atraído pela oportunidade de trabalhar como catador durante a festa. “No Carnaval passado eu não reciclei, mas neste ano está compensando. Está tendo um lucro melhor porque a gente recebe pelo peso e outras bonificações. É a primeira vez que estou pegando plástico. Isso não acontecia, porque não compensava. E tem muito plástico durante este período” relatou.
A cada quilograma de latas, o trabalhador recebe R$3,00. Juntando 20kg, recebe uma bonificação de R$50. O valor pago pelo quilo do plástico é de R$0,50, mas a cada 30kg coletados por dia é possível receber um incentivo de R$100 adicionais. Quando o cozinheiro Fernando Baraúna dos Santos, 39, ficou sabendo da iniciativa, também iniciou a coleta. Entre 14h e 21h, ele está coletando diariamente uma média de 60kg de plástico, que se transformam em uma bonificação de R$230.
Para ele, o uniforme recebido é um dos destaques da ação. “O fardamento muda muita coisa na rua, pois todo mundo considera mais a gente. Estou sentindo diferença porque somos tratados com mais respeito”, comentou ele. O equipamento de proteção individual é outro elemento que ajuda na valorização do trabalho de quem está na linha de frente da reciclagem. “Essa luva para proteção é muito boa. Eu só trabalho com ela na mão. Ajuda para não cortar as mãos quando pega o ferro, a vidro”, explicou Pereira.
Novas lixeiras
Com o resíduo coletado nos maiores blocos de rua dessas cidades pelos catadores e catadoras mobilizados, a Ambev irá reciclar os resíduos coletados e com parte deles irá produzir lixeiras para serem instaladas nessas cidades, deixando um legado positivo e sustentável para os cidadãos após a folia.
“Queremos ter um Carnaval cada vez mais sustentável e também ajudar na conscientização dos foliões. Por isso, decidimos nos unir a parceiros para fazer uma ação inédita de limpeza que vai recolher todo o tipo de material reciclável: vidro, plástico, papelão, latas, mesmo que sejam de marcas concorrentes”, conta Rodrigo Figueiredo, vice-presidente de Sustentabilidade e Suprimentos da Cervejaria Ambev.
por Tribuna da Bahia


