Número de trabalhadores sindicalizados cai 10% em 2 anos na Bahia
Na Bahia, a baixa foi mais acentuada. Em 2018, a taxa de sindicalização foi a menor desde 2012: 13,7% dos que trabalhavam eram sindicalizados, o que representava 800 mil pessoas

Aprovada há dois anos, ainda na gestão do ex-presidente Michel Temer (MDB), a reforma trabalhista trouxe diversas mudanças que afetaram a vida do brasileiro que está no mercado de trabalho. Entre os segmentos que foram atingidos em cheio com as modificações na legislação estão os sindicatos. Prova disso é que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre os anos de 2017 e 2018, houve uma queda de quase 2% no número de sindicalizados em todo o país.
Na Bahia, a baixa foi mais acentuada. Em 2018, a taxa de sindicalização foi a menor desde 2012: 13,7% dos que trabalhavam eram sindicalizados, o que representava 800 mil pessoas. Entre 2012 e 2015 foi o período em que os números atingiram o seu maior patamar, chegando a 1,046 milhão de trabalhadores sindicalizados, ou 16,4% do total.
Mas, em 2016, os registros caíram, chegando a 996 mil sindicalizados. No ano seguinte, 2017, uma nova queda, de 890 mil. Em 2018, o levantamento, que fez parte do Programa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), registrou o menor índice entre os anos pesquisados pelo Instituto.
Frente a 2015, ano como a maior quantidade de sindicalizados, houve recuo de 23,5% nesse contingente, no estado, com menos 246 mil trabalhadores no período. Mas, mesmo com a queda, em 2018, a taxa de sindicalização do trabalhador baiano era maior que a média nacional (12,5%) e a 10º mais elevada dentre os estados. Por outro lado, Piauí (23,2%), Maranhão (18,2%) e Rio Grande do Sul (15,8%) tinham as maiores taxas de sindicalização no ano passado.
PERFIL
Segundo o IBGE, os homens são maioria entre os sindicalizados baianos: 424 mil ou 53% do total. Contudo, o percentual de trabalhadores sindicalizados é um pouco maior entre as mulheres: 15% das que trabalhavam em 2018 eram sindicalizadas. Tanto frente a 2017 quanto na comparação com 2015, o número de sindicalizados caiu mais entre os homens que entre as mulheres, embora tenha recuado em ambos os casos.
BRASIL
Segundo o IBGE, em todo o país, dos 92,3 milhões de pessoas ocupadas, 12,5% (11,5 milhões de pessoas) estavam associadas a algum sindicato em 2018, atingindo, portanto, o menor percentual de sindicalização desde 2012. Em relação a 2017, quando a taxa era de 14,4%, houve redução de 1,5 milhão de trabalhadores sindicalizados no país.
Conforme os dados, a maior taxa de sindicalização em 2018 ocorreu entre trabalhadores do setor público (25,7%), seguido por trabalhadores do setor privado com carteira assinada (16%). Os trabalhares sem carteira no setor privado apresentaram uma das menores estimativas de sindicalização (4,5%). Já os trabalhadores por conta própria tiveram a taxa de 7,6%.
Ainda de acordo com o levantamento, todas as categorias tiveram redução na taxa de sindicalização na série história. A maior queda foi a de empregador, que passou de 15,6%, em 2017, para 12,3% (-3,3 pontos percentuais), em 2018, seguido por trabalhador do setor privado com carteira assinada, com queda de 3,1 pontos percentuais.
Por região, todas as do país mostraram redução do percentual de sindicalização em 2018. Tanto no Norte quanto no Centro Oeste a queda do contingente de trabalhadores sindicalizados foi de 20% (menos 180 mil e 192 mil pessoas, respectivamente).
No Sudeste, a retração daquele contingente foi de 12,1% (menos 683 mil sindicalizados). No Sul, o percentual de sindicalizados (13,9%), pela primeira vez em toda a série da Pesquisa, ficou abaixo da estimativa da Região Nordeste (14,1%). Em 2018 os percentuais de sindicalização segundo as Grandes Regiões foram: Norte (10,1%), Nordeste (14,1%), Sudeste (12,0%), Sul (13,9%) e Centro-Oeste (10,3%).
Tribuna da Bahia

